Go Read: o novo aplicativo da Editora Abril seria um inimigo infiltrado?

Por Carla Knoplech

O mercado de revistas pode respirar com a ajuda de aparelhos, mas se tem um tipo de assinante que nunca irá abandona-lo é o consultório de dentistas. Certo? Errado. Fui ao dentista outro dia e fiquei em estado de choque quando fui avisada que as revistas que estavam na recepção (tinha de tudo ali, desde as femininas com atrizes na capa até as dedicadas a assuntos esotéricos) seriam substituídas em breve pelo aplicativo Go Read, o mais novo lançamento da Editora Abril. Ex-abriliana que sou com quase sete anos de casa se somarmos o meu período CARAS + VEJA RIO, não consegui conter o meu espanto e posso falar com conhecimento de causa: como assim até os dentistas abandonarão esta velha mídia? Como assim não aguardar na sala de espera lendo as fofocas daquela atriz da novela que você nem sabe o nome, mas já sabe que ela já perdeu dois quilos comendo óleo de coco? É o fim dos tempos.

Depois desse anúncio e de me recuperar do susto, cheguei até a examinar o iPad comprado para desempenhar a nova função e guardei o dever de casa para mais tarde. Baixei o app, fiz o download de umas 20 revistas (sim, vinte, sendo que na verdade você paga um preço irrisório por mês para poder ler em torno de 100 revistas) e surfei na experiência. Achei interessante. O layout para computador é melhor do que para mobile (erro persistente das marcas ainda em 2017 quando sabemos que mais de 80% dos acessos a internet no Brasil são feitos via celular), de fato as revistas funcionam todas offline e você recebe na sexta-feira às 11h30 a íntegra de edições que só estarão na banca no sábado. Como usuária achei a oferta uma bagatela e já troquei a minha assinatura de revista semanal para o app, mas como revisteira, jornalista e mais ainda como entusiasta da Editora Abril fico me perguntando como será este modelo de negócio que claramente não fará a conta fechar.

Entendo que a empresa queira conquistar/dialogar com a faixa da população que não vai às bancas, não assina revistas, mas lê uma matéria ou outra na internet e por isso aceitaria esta oferta mais barata. Mas como fazer o processo não canibalizar o negócio principal? E mais, como convencer o assinante de longa data que paga três vezes, se considerarmos o valor da assinatura mensal, que ele deve se manter cliente? Bom, eu não sei. Mas alguém lá dentro deve saber. Ou esperamos que saiba.         

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Carla Knoplech é dona da Forrest-Conteúdo e Influência e você pode saber mais sobre ela aqui.

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