“La La Land”, escolhas e autenticidade

Por Carla Knoplech

Fui ver La La Land – Cantando Estações depois de tanto burburinho em torno do filme e da minha timeline se dividir entre os que amaram e os que acharam que o longa-metragem não merece nenhuma das 14 estatuetas para as quais foi indicado ao Oscar. Aliás, que saco esse mundo de hoje onde você recebe um caminhão de achismos sobre uma obra dessas antes mesmo de sentar-se na sala escura do cinema, não? Pois bem: eu amei! Achei de uma poesia ímpar e de uma leveza rara nos dias de hoje.

O macrotema artístico e musical é um deleite para os olhos e ouvidos e provoca uma deliciosa sinestesia que nos deixa extasiados por duas horas. Dá vontade de sair sapateando e se matricular naquela aula de dança que você deixou para algum dia e nunca mais voltou. Mas me chamou muita atenção também o subtema do filme, o mais do que batido, mas não menos importante assunto “fazer escolhas”.

E se eu tivesse casado com aquele ex-namorado? E se eu não tivesse largado aquele emprego? E se eu tivesse apostado tudo no meu sonho? A eterna dúvida se-estamos-seguindo-o-caminho-certo-ou-como-as-nossas-vidas-teriam-sido-diferentes é uma prática que deve ser dosada. Na medida certa pode servir como um bom remédio para nos colocar em um lugar de questionamentos que venha a somar, mas se consumida em excesso pode ser um grande veneno que nos paralise, amedronte e impeça-nos de seguir adiante.

Quando Mia (Emma Stone) investe tudo que tem para montar sua peça de teatro autoral ela está segura e cheia de esperanças. Quando a peça acaba e a plateia praticamente vazia denuncia seu fracasso ela repensa tudo que a fez tomar essa decisão. Bem, eu não vou acabar com a graça do filme ou soltar algum spoiler indevido, mas a ida ao cinema vale, entre outras coisas, para ver Mia se questionar em uma brilhante atuação sobre o que a fez subir aos palcos.

Fora deles, Emma contou a revista Cosmopolitan de fevereiro, que está nas bancas, sobre o seu processo de atuar em produções independentes como La La Land. Em determinado momento da entrevista ela fala sobre a importância de encontrar personagens diferentes e encarar seus medos. “Amadureci e minha prioridade passou a ser a minha autenticidade e não a minha alegria constante”, disse ela. Achei tão forte e verdadeira essa frase. Me fez pensar que talvez ser autêntico não é ser feliz o tempo todo e que a autenticidade talvez esteja exatamente nas escolhas que fizemos e no fato de não nos questionarmos o tempo todo sobre elas.

Talvez a vida seja decidir por um caminho e seguir reto em direção àquela escolha sem olhar pra trás ou titubear. E que possamos encontrar alguma graça no percurso e até talvez arriscar uns passos de dança no caminho.

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Carla Knoplech é dona da Forrest-Conteúdo e Influência e você pode saber mais sobre ela aqui.

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